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Preservação ambiental e direitos, para todos, sem distinção

Foto: Daniela Conti


E se um desastre ambiental tirasse seu trabalho? Assim de um dia para o outro? Imagina você ficar sem renda, sem ter o que comer, sem ter como sair de perto do desastre ambiental que está afetando a saúde de sua família? E se a solução para resolver o desastre ambiental fosse acabar por definitivo com o seu trabalho?

A crise socioambiental (sim, é importante frisar que a crise não é só ambiental) que estamos vivendo nesta semana em Teresópolis ela é delicadíssima, e traz um desafio muito grande para nós enquanto sociedade.

O bairro do Fischer que se localiza ao lado do lixão é um dos mais atingidos pelo incêndio ocorrido. De imediato a população ficou exposta a gases tóxicos perigosíssimos para a saúde, como o gás metano, e enxofre, mas também o Matadouro (pequeno bairro que fica dentro do Fischer), perdeu seu sustento diário, pois muitos vivem exclusivamente da reciclagem do lixão para sobreviver.

Alguns dirão: “Mas por lei o lixão tem que acabar!”. Sim, correto, não é possível em pleno 2023, uma cidade que quer se vender como detentora de um turismo ecológico, ter um lixão. É um absurdo e tem que acabar, que se cumpra a lei federal. Mas não adianta cobrir um problema e destapar o outro. A reflexão aqui é: como cumprir a lei federal, sem descumprir outras leis, de garantia de direitos humanos básicos, a moradia, emprego, saúde, garantir o estatuto da criança? Sim, porque simplesmente acabar com o lixão, vai ferir com os direitos fundamentais das pessoas que dependem dele para sobreviver.

A resposta para esse impasse é muito simples, é preciso ter coragem política para criar um projeto de aterro sanitário sério, consistente, e sustentável, mas principalmente que esse projeto e sua gestão tenha a EFETIVA PARTICIPAÇÃO DA COOPERATIVA DE CATADORES . Não adianta abrir uma licitação e deixar empresas particulares, que só visam ao lucro, tomando conta de tudo. O resultado dessas terceirizações a gente já conhece, serviço mal prestado e a exclusão dos catadores, ou o subemprego dos mesmos. Os catadores conhecem a sua realidade, conhecem a sua economia da reciclagem, precisam ser atores ativos dessa transformação do lixão em aterro sanitário. Somente assim, a gente vai resolver essa crise socioambiental. A pressa que os moradores “da Várzea” de Teresópolis têm em voltar a respirar ar fresco, não pode se sobrepor a pressa de dezenas de famílias em também respirar ar puro, mas de ter sua autonomia financeira e poder viver dignamente. Estamos falando em torno de 1500 pessoas (inclusive de outros municípios) que sustentam suas famílias a partir dali. A prefeitura precisa se reunir com urgência com os catadores, e ouvir com franqueza suas demandas imediatas (cestas básicas, materiais de limpeza e higiene, renda complementar, solução pra educação das crianças, acompanhamento médico, distribuição de máscaras, etc), mas também ouvir suas propostas para solução do lixão (como por exemplo o transbordo gradativo) e para a criação do aterro sanitário.

Sem as pessoas que vivem no entorno, qualquer movimento ecológico/ambiental se torna seco e improdutivo. Pessoas são natureza e vice-versa. Viva a luta e resistência dos catadores e e catadoras de Teresópolis!


Camila Lamarão


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